És uma palavra nova, que não sei pronunciar a querer sair
disparada dos lábios e explodir
nos teus braços.
a partir da obra de Joseph Mallord William Turner, Riva degli Schiavone, Venice: Water Fête.
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Se ainda sonhar meninalanças um mar aos pés
no dia que perder
o caminho do sonho?
a partir da escultura de Edgar Degas La Petite Danseuse de Quatorze Ans.
Original pode ser visto de 21 de Janeiro a 03 de Junho de 2012 no Castel Sismondo, em Rimini na exposição de Vermeer a Kandinsky
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Não venhas se sabes que não vais ficar porque o corpo tem a tensão de um fio estalado pelo frio da ausência. Não venhas se sabes que não vais adormecer num recanto meu que sente um pulsar de vida a querer sair da pele sem pedir licença. Não venhas construir os meus dias com frases porque quando choro, a verdade não tem palavras e nem um abraço mata esta dor de tossir a maldade das pessoas. Que às vezes queria beber um frasco inteiro de esquecimento para não saber o quanto o coração é uma estrada plana transparente para os olhos, imediata para as mãos das pessoas, que ousaram olhar para dentro de olhos fechados. Não venhas se sabes que um abraço não chega para acabar com a saudade que não é permitida sentir, se sabes que não se arrancam raízes com a boca que não beijou, que me arrancaram o coração pelas costas e ele teima em voltar ao corpo numa febre louca de querer sentir. De ser doente quer correr pelas ruas brancas a saltar sozinho nas praças, a desenhar palavras que conheças, tão longe da minha língua, tão longe de qualquer estrada. Não venhas que não há carne suficiente para nós os dois, que não há tempo, ou luz para durar o que preciso para ser feliz. Porque nos encontramos onde mais ninguém o fez e porque viemos de onde mais ninguém veio mas não temos mais caminho para andar. E às vezes nem sei se esfregar os olhos ou partir uma cidade para o mar, despir a roupa dos dias e nadar como quem atravessa um oceano a sonhar. Não venhas se não sabes sonhar que na febre desta doença só se sabe sonhar, não venhas se sabes que não és vertigem, que eu ficarei sentada no bar a pedir mais um pouco de gin, mais um pouco de frio, para ver os anjos brancos a dançar na janela da cidade que não é minha e a que não voltarei nenhum dia.
Neva. Ninguém entra ou sai da cidade, as ruas estão fechadas, as pessoas bloqueadas. O tempo parado a ver dançar os flocos como anjos no espaço das casas, entre os homens, entre a história. E se existisse um manto para abraçar eu não saberia ser mulher, num colo a ferver de febre. Não venhas, que a noite é longa e este corpo doente quer ir à rua morrer no meio da solidão branca à procura do coração. Não venhas se sabes que não vais ficar.
fotografia de Benoit Courti
MÁRCIA com JP. SIMÕES - A PELE QUE HÁ EM MIM (Quando o dia entardeceu) from márcia on Vimeo.
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