Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Vai parando o dia devagar, debaixo da terra onde o sol se deitou.
Vai morrendo a luz
em espaçadas largas de um movimento lento, ondular no tempo.
Cai a luz dentro do rio, a pintar as cores de preto e os sorrisos de vento. Os olhos grandes
do animal morto na estrada, o sangue ainda a escorrer quente pelo asfalto.
Parou a mulher, descalça a colorir as mãos de sangue. Dura chora
a loucura da morte, a comer animais vivos
dentro das feridas abertas do coração.
Quando ela partir, não vai fazer falta,
porque a memória dos homens é uma doença da idade que faz esquecer
o quanto o coração viu
com os olhos abertos de amor.

Fotografia de Étienne Jules Marey
A ouvir Sigur Rós - Svefn g englar

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