Caiu um pescador ao mar.Saiu do azul do céu a nadar sobre o espaço, azul lágrima,
azul salgado e morte. Caiu
o pescador, pele curtida, amarela do sol, caiu ao mar.
Vivia numa caixa nas caxinas a colher as areias com os olhos, a escolher
de manhã à madrugada o mais brilhante búzio do mar
para deixar no coração da mulher do farol.
Agarrou as mãos ao ventre mulher
até sangrar.
Quando o encontraram
despia flores brancas com os dentes de oiro e ria
num riso vermelho de futuro.
Fotografia de Graciano Dias
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